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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Conheça a história de superação do garoto Kauê dos Santos

"O cara parece o lendário Charles Barkley". A frase para lá de entusiasmada é de Daniel Bello, técnico da seleção do Rio de Janeiro Sub15 e foi reproduzida no blog de seu pai, o comentarista Byra Bello do Sportv. O "cara" citado por Daniel é Kauê Ferreira dos Santos, cestinha e melhor jogador do time de São Paulo, campeão do último Campeonato Brasileiro Sub15.

A pequena foto 3x4 logo abaixo, da página oficial da Federação Paulista de Basquete, causa aquela tentação de comparar Kauê não a Charles Barkley, mas sim a um fenômeno de outro esporte. Ok, calma lá, estamos pegando um pouco pesado. Afinal, o jovem de 15 anos apenas está começando a sua carreira no basquete e, no esporte, não existe qualquer garantia antecipada de sucesso. Mas conhecendo um pouco da história de Kauê, dá para entender a razão de tamanha audácia.

O jovem atleta do Clube Internacional de Regatas (Santos) tem 1,87 metros de altura, joga na posição de ala. Sua performance contra Santa Catarina (35 pontos e 10 rebotes) foi disparadamente a mais impressionante numa final da 1a divisão nacional da categoria sub15, desde que as estatísticas passaram a ser computadas no site da CBB (2008). 

Mas não é só! O garoto é com folga o cestinha do Campeonato Paulista Metropolitano Sub15 com uma média de 29 pontos por partida (o segundo colocado tem uma média 18 pontos por jogo). Não satisfeito, Kauê ainda defende o seu clube na categoria Sub17 e, acredite se quiser, é o quarto maior cestinha do Campeonato Metropolitano.

No entanto, nada me impressionou mais do que o bate-papo que tive com Kauê. O garoto impressiona pela precoce maturidade e pela simplicidade, sem deixar de demonstrar aquela alegria infantil contagiante comum na sua idade. Sua curta história no basquete já está marcada por inúmeros episódios de superação.

Pouco depois de começar a jogar basquete, Kauê perdeu seu pai, um de seus maiores incentivadores. Pensou em parar de jogar, mas preferiu seguir adiante em busca do sonho. Seu biótipo se distingue daquele "padronizado" para a posição de ala. Para Kauê, isso não é um problema, mas sim a solução. O garoto usa a toda a força física a seu favor (na final contra Santa Catarina, foi a linha de lance livre 15 vezes). Em abril, foi cortado da seleção brasileira Sub15 que se preparava para o Sul-Americano. Desânimo? Nada disso, 3 meses depois, o ala se tornava o principal destaque de sua categoria no país.

Conheça um pouco mais dessa história, através da entrevista abaixo:

Como o basquete surgiu na sua vida?

Comecei a jogar basquete no Rebouças, com 8 anos de idade. Um garoto chamado Felipe, meu amigo, disse que iria me levar para jogar basquete e acabei gostando. Isso surgiu de repente. Depois de um certo tempo meu pai (falecido) me levou para um centro esportivo, e de lá, a professora Gilmara me colocou no Inter, time do professor Buru. Isso quando eu tinha 9 anos.

E que torneios você disputou pelo Inter? Sei que você tem sido cestinha em diversas competições...

Eu disputei o Torneio Início e o Metropolitano em 2008 (fui o 4o cestinha, com 330 pontos); o Torneio Metropolitano e o Final Four em 2009 (fui o 2o cestinha, com 444 pontos); fomos vice-campeões do Torneio Metropolitano e 4o lugar no Estadual em 2010 (fui o cestinha, com 626 pontos).

Em 2011, veio a sua primeira convocação para a seleção brasileira (Sub15). Como você recebeu a notícia?

A notícia veio através da internet! (rs) Eu tinha acabado de sair de um treino e fui no site da CBB, onde tinha  "convocação da seleção brasileira sub15"...e achei o meu nome. Fiquei muito feliz quando vi! Achei esse período muito legal, aprendi bastante coisa. Os treinos foram muito puxados, trabalhando bem as jogadas.

Bem, e depois certamente veio a decepção com o corte. Como você lidou com isso?

Com esse corte, tive uma lição, pois quando cheguei à minha cidade, todos me deram parabéns e disseram para eu voltar aos treinos. E acabei voltando normalmente, pois agora treino firme e forte para voltar à seleção no ano que vem.

Você chegou a acompanhar a seleção pela internet durante o Sul-Americano?

Na verdade não. Eu não tinha muito tempo, mas ficava sabendo das notícias através de um colega meu, o Luan Ziani, de Limeira.

E como foi o título do Campeonato Brasileiro Sub15 em Santa Catarina?

Foi muito legal. O campeonato foi bem disputado. Nós ganhamos os dois primeiros jogos e, logo em seguida, Santa Catarina nos venceu por uma diferença de 4 pontos. Com isso, precisariamos vencer Minas Gerais por uma diferença de 8 pontos para ficar com o 1o lugar na chave. Nós conseguimos e vencemos o Rio Grande do Sul na semifinal. Na final, nos sagramos campeões vencendo Santa Catarina por 65 x 60. Fiquei muito feliz!

E você acabou sendo o cestinha da sua equipe, com uma performance impressionante na final. Como foi o confronto contra Lucas Vezaro, um dos atletas mais talentosos da categoria?

Acirrado!!! (rsrs). Ele joga demais, apesar de termos colocado uma marcação forte nele!

Mudando um pouco de assunto, como você definiria o seu estilo de jogo?

Eu jogo aberto, cortando bastante e finalizando bem. Estilo Charles Barkley (rsrs). Sou ala, mas, de vez enquando, também ajudo no garrafão.

Você costuma acompanhar basquete na TV? Quais campeonatos?

Sim! NBA e NBB.

E quais são os seus jogadores prediletos?

Lebron James na NBA, Marcelinho Machado no NBB e Leandrinho na seleção brasileira.

E os estudos? Como andam?

Bem! No ano passado fui eleito o melhor aluno! Tive notas boas. Não posso largar o estudo, pois sem ele não seremos nada na vida. Estou no primeiro ano do ensino médio e estudo no Colégio Luiza Macuco, em Santos.

E a sua família? Você contou que infelizmente perdeu o seu pai muito cedo e que ele te incentivava no esporte. Como o restante da sua família vê a sua vida no basquete?

Infelizmente, eu tive a perda do meu pai. Hoje, tenho meu tio Ailton Silva, ex-jogador de futebol do Santos. Ele começou a me incentivar, e minha mãe também. Eu iria parar de jogar! Mas pensei bem, e era tudo o que meu pai queria...ver eu jogar basquete. Pois rezo muito por ele, para ele sempre cuidar de mim, é uma estrela que brilha no céu! Minha família vai a todos os meus jogos e me incentiva bastante, eu gosto disso!

Tenho certeza que seu pai está torcendo muito por você. Para finalizar, qual é o seu maior sonho no basquete?

Ser um jogador profissional, ser um jogador conhecido. Jogar na NBA!


Abaixo, segue um vídeo de Kauê, atuando na categoria Sub17:

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os rivais de amanhã por eles mesmos

Amanhã tem o segundo capítulo da trajetória brasileira na Letônia. Nossa seleção enfrentará o jovem e perigoso time da Polônia, que venceu a Tunísia com facilidade na abertura da competição no jogo que fez preliminar do duelo Brasil e Rússia. Consegui, por meio de amigos em comum, falar com dois jogadores do jovem time polonês: Piotr Niedzwiedzki (abaixo, com o troféu), responsável por 9 pontos, 6 rebotes e 3 assistências na vitória de hoje e o bastante elogiado escolta Mateusz Ponitka (camisa 10), que anotou 17 pontos hoje.

Num longo papo, pude aprender um pouco mais sobre esse time que optou por levar jogadores nascidos em 1993, um ano acima da regra permitida pelo torneio. Ambos viram a partida entre Brasil e Rússia no ginásio. Para Piotr, "Foi um jogo digno de Campeonato Mundial!". Ponitka completou: "Fantástico jogo! Que sorte tiveram os russos!".

Com o espírito mais aguerrido, Niedzwiedzki disse que o time polonês é o mais homogêneo de toda a competição e que ele sabe que o jogo interno será duríssimo, mas que ele estará lá para brigar muito forte. Pra ele, a principal característica deste jovem time polonês é não desistir até a última bola.

Já o cestinha Ponitka falou de questões mais ligadas ao jogo propriamente dito de amanhã e deu pistas de como a Polônia virá preparada. Falou que a melhor maneira de vencer o Brasil é parar Raulzinho (Neto, para eles), bloquear nos rebotes defensivos e atacar pacientemente. O escolta também ressaltou o caráter homogêneo do time polonês.

Raul, aliás, foi assunto para ambos. Piotr falou que Neto chamou bastante atenção por ter uma bola de fora muito perigosa, além de ser um cestinha nato. Perguntei, por isso, a Ponitka se poderíamos esperar um duelo dele contra o armador mineiro e ele despistou: "A não, eu sou um ala-armador, não sou armador, não vou ser eu quem vai marcá-lo".

No entanto, chamou bastante atenção que ambos estão bem mais focados no Europeu para nascidos em 93 que acontecerá esse ano, na Polônia, do que no próprio Mundial em si. Foi essa a estratégia escolhida pela federação local para causar boa impressão jogando em casa. Piotr explicou um pouco melhor: "Ano passado, jogamos uma competição muito importante de nossa categoria e ficamos em segundo lugar, então estão investindo na gente, inclusive, gostaria de convidá-los a torcer pela Polônia no Europeu que acontecerá". Ponitka, também bastante simpático, foi no mesmo sentido: "Sim, somos os mais novos aqui e estamos nos preparando para o Europeu que jogaremos em casa".


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Entrevista exclusiva com José Neto, técnico da seleção sub19


Às vésperas da estréia no Mundial Sub19, falamos com José Neto, técnico do time mais carismático de basquete de base brasileiro desde muito tempo. Com promessas de craques mundiais como Raulzinho e Bebê, além de vários jogadores de muito potencial, como os Felipes Taddei e Vezaro, Gabriel Aguirre, Arthur e Cristiano, entre outros, o Brasil vai à Letônia disputar com a elite do basquete de base mundial.

Contatei Neto para um rápido bate-papo, mais para aprender alguma coisa sobre a Rússia e sacar as últimas novidades da seleção. No entanto, a conversa foi tão interessante que acho que é possível organizar como uma entrevista, mantendo aquela premissa que quem nos acompanha sabe, de que não podemos saber mais do que nossos leitores e que informação não se guarda, deve circular.

Fala Neto! Queria saber um pouco mais sobre esse time da Rússia. O que esperar deles?

Fala Guilherme, tudo bem? A Rússia é um time muito forte que foi vice-campeão europeu, perdendo apenas um jogo durante todo o torneio (que foi a final para a Lituânia, lembrando que o europeu aconteceu na Lituânia). Eles têm um time muito forte fisicamente, jogadores grandes exteriores que defendem muito bem com variações defensivas. Tem um jogador da posição 4 e outro da posição 3 que tem volume mais alto do time. Eles têm também um bom armador, que prefere o jogo de infiltração.

Sobre esses jogos na preparação, aquele jogo da Austrália foi atípico? Porque vencemos o Canadá que venceram eles. Ficamos um pouco preocupados depois daquilo.

Não dá pra fazer muitas comparações. A Austrália é uma excelente equipe. Eles foram muito mal contra o Canadá. O Canadá marcou zona e a Austrália arremessou 2-19 pra 3 pontos. Contra a gente eles tiveram um aproveitamento muito alto, 10-14 dos 3 pontos.


Alguns lituanos que conversamos elogiaram bastante Raulzinho, e comentaram que praticamente todas as ações brasileiras passam por ele. Vi também, mas aí são apenas números que não dizem muito, que quando ele sai, é difícil manter o mesmo nível. Pensa em mantê-lo em quadra pelos 40 minutos no jogo contra a Rússia?

Considero que para jogar basquete internacional em um nível alto, é necessário ter resistência e intensidade, ou seja, jogar a 100% o máximo de tempo possível. Por mais que esteja preparado, dificilmente é possível um jogador manter uma intensidade jogando os 40 minutos.

Na Copa América, Roese utilizava Bebê vindo do banco, numa estratégia de jogo que deu bastante certo em SA. Nos primeiros amistosos você chegou a repetir isso, mas nos dois últimos ele já veio no time desde o início. Como tem pensado em utilizá-lo?

Ele é um jogador que tem as condições para começar jogando. Temos outros jogadores da posição que estão bem também, como Arthur e Cristiano. Cada adversário tem uma exigência tática que podemos ter opções.

domingo, 26 de junho de 2011

Entrevista com presidente do Franca, Luis Carlos Teixeira

Pouca gente do basquete brasileiro tem tanta responsabilidade como Carlos Teixeira. Responsável pelos rumos do time mais tradicional da modalidade no país, Teixeira tem de lidar diariamente com a pressão de uma torcida fanática e sedenta por títulos. E o fim da temporada que celebrou o vice-campeonato não poderia ser mais polêmico: o time perdeu dois atletas da rotação principal para times de menor estrutura e tradição e contratou um dos mais polêmicos atletas do país, Baby. O Giro procurou Teixeira e conversou sobre isso e muito mais.

Quem acompanha o Giro sabe que não concordamos com algumas posições de dirigentes brasileiros e muitas vezes criticamos abertamente, sem nos preocuparmos muito com a reação que isso pode acarretar. Esse bate-papo com Teixeira foi guiado pela noção crítica que temos de alguns posicionamento de Franca. No entanto, não tentamos argumentar em réplicas, mas apenas deixar o espaço aberto para os argumentos do diretor. A análise e o debate poderá vir na caixinha de comentários, se os torcedores francanos e os basqueteiros em geral se interessarem. Estamos aqui pra isso.

Sem mais, vamos à entrevista.

Pessoal tem batido pesado em você aí em Franca, né? Mas as contratações já acabaram?

Os torcedores não conhecem o lado administrativo do clube. Pensam apenas com paião. Cito o exemplo que neste primeiro ano de gestão zeramos o déficit do FBC, mudamos a sede, fizemos a sala de troféus, compramos o "basquetemóvel" e conseguimos ser vice-campeões do NBB. Avalio como um trabalho vitorioso. Temos um orçamento a ser cumprido e temos que trabalhar com aquilo que reputamos o melhor para o FBC. Acredito que temos um plantel muito equilibrado com jogadores no auge de sua condição e que vão mesclar com a juventude dos três garotos que estão na seleção.

Mas então podemos dizer que as contratações acabaram?

Ainda estamos em processo de avaliação, porque neste momento temos disponível mais uma vaga que pode ser utilizada por um estrangeiro. Assim, iniciando os preparativos veremos se nossa necessidade está na posição 1, 2 ou 3, etc. Não vou deixar a paixão suplantar a razão. Vamos avaliar os atletas que temos e ver se realmente temos esta necessidade. A partir daí, se for necessário, contrato. Se não, podemos abrir espaço para mais um juvenil - falam tanto que não damos espaço aos valores locais e quando fazemos, nos criticam.

Muito se tem criticado Hélio Rubens e sua maneira de conduzir o time, que não dá espaço para jovens e que isso teria motivado as saídas de Dedé e Benite. Qual sua opinião sobre essas críticas?

Bem, numa cidade como Franca, existem 350 mil técnicos de basquete que opinam, concordam, discordam, mas todos têm um jeito carinhoso, especial com nossa equipe. O importante é que continuamos a formar atletas e técnicos de basquete. Alguns iniciam, rodam e voltam à casa. Outros encontram outros caminhos, mas temos confiança que o trabalho é feito com muito carinho, dedicação e desprendimento.

E a saída de Benite e Dedé?

Quando ao Benite, a saída dele foi surpreendente para todos porque aqui ele foi um atleta que teve um excelente tempo efetivo de quadra (o terceiro com mais tempo). Foi laureado e encontrou seu espaço. A verdade é que a saída foi por motivo de foro íntimo já que ele não tinha qualquer problema com o técnico, com os demais jogadores e já era um ídolo na cidade. Em termos financeiros também não foi já que ele mesmo declarou que ia pra Limeira pela metade. Assim, o que aconteceu é questão pessoal. Quando ao Dedé, a sua saída foi motivada pela proximidade com a família e a outros jogadores que são seus amigos particulares e jogam lá. No aspecto financeiro, foi proposto até que cobríssemos a oferta, mas quando ele chegou pra conversar, já tinha a convicção que ele já assinara com a outra equipe .

Agora, Teixeira, eu confesso ter ficado totalmente confuso em relação ao Baby. Aquela declaração sua foi uma estratégia? Não achou um pouco grosseira?

Não, porque algumas negociações que começamos foram atrapalhadas exatamente por terem sido tornadas públicas e assim foi uma forma que encontrei de criar um pano e não prejudicar o nosso objetivo. Creio que se não tivessem levantado a questão, sequer teria sido objeto de reportagem. Mas o importante é que conseguimos o cincão que o torcedor francano vem pedindo já há algumas temporadas.

Mas havia opções mais interessantes no mercado, não? Ouvi dizer que Jeff Agba, por exemplo, vinha pedindo até menos do que Baby...


Assim que terminou a temporada, nos reunimos, eu e Hélio Rubens, e recebi uma relação dos atletas que ele pretendia. Assim, dei preferência às renovações dos atletas que pretendíamos e na sequência, os reforços. Obviamente temos diversas opções, mas também temos limitações financeiras, ou seja, temos que ajustar tudo isso. O importante é que, na nossa avaliação, ficamos com uma equipe altamente competitiva, pessoas muito motivadas e que, com certeza, traremos muitas alegrias aos torcedores do Vivo Franca Basquete.

Uma questão ficou no ar, pelo menos pra mim. Quando você disse que viria um jogador de NBA, estava falando do Baby mesmo?

Sim, foi a pista que acabei deixando escapar.


Acho muito bacana a participação dos torcedores nos destinos do clube e levamos em consideração sempre, porque aqui temos a torcida que mais entende de basquete. Apenas fico chateado com algumas pessoas que confudem a liberdade de expressão com ofensas pessoais.

Voltando ao assunto do elenco para a próxima temporada, o time perdeu os dois estadunidenses, Benite e Dedé e Trouxe Wanderson, Woodward e Baby. Que avaliação você faz? O time evoluiu ou piorou?

Acredito que temos uma equipe mais consistente. A evolução somente poderá ser medida após termos os resultados. Obviamente projetamos uma evolução.

E o orçamento? Todos patrocinadores continuam? Algum pode chegar?

Sim, felizmente todos confirmaram. Estamos trabalhando para captar mais parceiros e devemos ter respostas positivas em breve e assim dar respaldo para um possível reforço.

Acho que é isso né Teixeira? Será que faltou algo?

Não sei, vamos saber depois... Mas espero esclarecer um pouco a inquietude do pessoal.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Entrevista exclusiva com Leandro García Morales, o cestinha uruguaio


Para quem acompanha o basquete latinoamericano, Leandro García Morales, o LGM, dispensa apresentações (se você é um desavisado, clique aqui). Dono de uma das mãos mais certeiras do continente, o ala que faz 31 anos na semana que vem, é presença constante nas fases decisivas das principais competições do continente. Sua maior façanha foi o título sulamericano pelo Biguá, em 2008, quando foi cestinha e MVP da competição.

Quem nos acompanha desde os tempos de Draft Brasil, muito influenciados por indicações de nosso camarada Raoni Moretto, sabe da admiração que temos por esse exuberante jogador. Dono de um arsenal ofensivo praticamente completo, seu estilo e nível de jogo se equiparam ao de Marcelinho Machado, ala do Flamengo, mais potente cestinha do basquete latino.

Não por acaso, Leandro é um dos mais bem pagos atletas da América Latina. No momento, atua pelo Cocodrilos da Venezuela na fase de playoffs, mas tem contrato com o Halcones Xalapas no México (algo que costuma ser comum no basquete desses países). Na noite de ontem, foi responsável por 16 pontos na partida em que o time de Caracas abriu 2-0 contra o Trotamundos na semifinal do campeonato venezuelano.

Leandro foi o primeiro entrevistado do Giro no Aro. No entanto, como o site ainda estava bem no começo, guardamos sua entrevista para um momento em que tivéssemos mais leitores. Por isso, algumas respostas podem não ser exatamente quentes (ou podem até estar desatualizadas) e, além disso, alguns temas que hoje seriam mais importantes, na época foram tratados com menos relevo.

No entanto, pela simpatia e o caráter solícito de Leandro, pela sua qualidade de jogo e aproveitando a confirmação de sua presença na seleção uruguaia que disputará o Pré-Olímpico de Mar del Plata logo mais (a convocação saiu ontem), julgamos agora, com mais tempo de Giro no Aro e perto da primeira centena de visualizações, um momento adequado para dar palavra a esse grande jogador. Nos desculpamos de qualquer imprevisto que possa ter mudado as respostas da entrevista feita em meados de abril.

Primeiramente, gostaria de saber se você continua no Halcones...

Tenho mais um ano de contrato com o Halcones de Xalapa e não temos falando em terminá-lo. Meu contrato é garantido e por ora, não tenho intenção de deixar a equipe. Não sei se Halcones me tem em seus planos para o ano que vem. Tenho entendido que sim.

Como você tem visto o mercado brasileiro nesses últimos anos? Acha que podemos acompanhar as melhores ligadas da América Latina?

Sim, sem dúvidas. O basquete brasileiro é dos melhores do continente e agora que fizeram a liga nacional, estou seguro que vá crescer ainda mais. O jogador brasileiro tem um talento enorme, agora falta que os treinadores e os dirigentes desenvolvam melhor todo esse talento que têm. Creio que já é uma das melhores ligas da América Latina.


Vamos falar um pouco de sua carreira. Você começou como um Aggie, não é? Pouca gente sabe disso. Como foi jogar a Big 12? No que isso te ajudou a ser o scorer que é hoje?

Fui aos EUA com 17 anos a uma High School e depois fui a Texas A&M. Creio que sim, me ajudou muito jogar nos EUA porque lá se dá muita importância à técnica individual e ao jogo um contra um.

Logo no começo da carreira você também passou pelo basquete italiano. Por que não continuou jogando por lá?

Quando saí da universidade fui à Itália dois anos, mas logo minha mulher ficou grávida e então voltei ao Uruguai para que minha filha nascesse no Uruguai. Logo quando iria voltar à Europa, minha equipe no Uruguai me fez um contrato muito bom e fiquei dois anos (Biguá). Desde então, o Halcones de Xalapa e o Cocodrilos de Caracas me fazem contratos muito grandes e por isso não voltei à Europa. Tenho ofertas da Europa, mas com a crise econômica as ofertas não são muito boas.

Ainda sobre a Europa. Como tem visto o momento de Esteban Batista? Ele teve certas dificuldades na Rússia, voltou para a América do Sul e agora faz ótima temporada, sendo inclusive contratado pelo atual campeão espanhol.

Sim, Esteban está fazendo uma carreira muito linda. Começou muito bem o ano com o Fuenlabrada e agora fechou um contrato de 3 anos com o Caja Laboral. Tem potencial para ser um dos melhores pivôs da Europa. Tomara que aproveite essa oportunidade.

Você e ele, talvez ao lado de Osimani, são os principais nomes da celeste para os próximos anos. Recentemente vocês tiveram alguns problemas com a confederação e inclusive um princípio de greve. As coisas mudaram? Como está a organização do basquete uruguaio hoje?

Pois é. Ainda não se solucionou nada, só há palavras por parte da confederação que as coisas vão mudar, mas ainda não mudou nada (a entrevista foi feita em meados de abril). Espero que não deixem tudo para o último momento, porque vem pela frente um torneio muito duro e para ele necessitamos estarmos muito bem preparados para ter uma boa atuação. Sabemos que classificar é quase impossível, mas devemos enfrentar o torneio com seriedade e trabalho como no último sulamericano.

Como você espera essa competição? O Brasil deve ter desfalque de Anderson Varejão. Leandrinho e Nenê ainda são dúvidas. Além da Argentina, que é favorita óbvia, como você as principais forças de Mar del Plata?

Creio que a Argentina é o candidato, e depois Brasil e Porto Rico estão um nível acima de todos outros. Depois está Canadá, Rep. Dominicana, Uruguai e Venezuela que dependem de como chegam ao torneio para ver se têm alguma chance. Vai ser um torneio muito duro, mas há muito tempo sempre decidem as mesmas equipes.

Quem são os melhores jogadores atuando hoje na América Latina na sua opinião? E no mundo?

Muitos me ocorrem. Mas uma boa equipe seria: Osimani, Alex, Guilherme Giovannoni, Diego Logripo e Jack Martinez. Mas existem muitos outros jogadores. No mundo há muitíssimos, mas para falarei de jogadores como Kobe Bryant (o melhor), Manu Ginóbili, Juan Carlos Navarro, Milos Teodosic, entre tantos outros. Podemos nomear centenas de jogadores de todo o mundo.

É um grande time... Quem seria o treinador?

Aqui na América Latina eu gosto muito de Nestor García, Rubén Magnano e Julio Llamas. Na Europa, Ivanovic ou Messina. Na NBA, Phil Jackson ou Poppovich.

No último Mundial de Futebol, o Uruguai voltou aos holofotes do mundo com uma competição magnífica na África do Sul. E ainda gostaria de saber se pensa que de alguma maneira o bom momento no futebol (que também voltará as Olimpíadas em 2012) pode chegar aos outros esportes, como no caso do basquete.

Esse mundial que passou foi para todos os uruguaios um momento mágico e dos que não se acontecem muitas vezes na vida. No futebol se vem fazendo um bom trabalho, sobretudo nas divisões juvenis, creio que é aí onde o basquete necessita muitíssimo ainda. Há um ivro de El Tato Lopez (o melhor jogador de basquete da história do Uruguai) que recomendo para entender esse processo que se deu com o futebol e porque Uruguai terminou em quarto. O livro se chama "a festa inesquecível".

Leandro, queria saber por fim, quem é Leandro García Morales fora das quadras...

Sou muito tranquilo, agora tenho dedicado todo o tempo que posso a minha filha que tem 3 anos e quando estou jogando é bem difícil dedicar tempo a ela. Quando estou no Uruguai aproveito para ver minha família e amigos que durante o ano é bem difícil.

Agradeço Leandro, desde já, a atenção e o tempo. Foi uma das melhores entrevistas que já fiz.

Valeu! Quando sair, me passa o site para eu ver a entrevista!

sábado, 18 de junho de 2011

Entrevista exclusiva com o quase brasileiro Larry Taylor


Desde que saiu a convocação para a seleção brasileira de ontem, um nome em particular causou comoção e grande debate: Larry Taylor. Muito se discutiu sobre sua presença, sobre o que ele pode ajudar, sobre sua brasilidade. No entanto, desde ontem, ninguém conseguiu ouvir Larry.


Dos EUA, Larry trocou rápidas palavras com o Giro, sobre a novidade. Como foi uma entrevista escrita, sugeri a Larry que escrevesse em inglês para sua maior comodidade. O armador da seleção foi certeiro: "Pode ser em português, sou quase brasileiro agora né?".

Então quer dizer que agora você é nosso representante?

Agora sim! Estou muito feliz!

Você já esperava a convocação?

Sim, eu já tinha conversado sobre isso e eles me falaram que talvez fosse convidado esse ano. Estou muito feliz pelo convite, muito mesmo.

Fiquei sabendo que você disse, quando recebeu a convocação, que se sentia orgulhoso, excitado e preparado para a missão. Como seus amigos e familiares receberam a notícia?

Eles gostaram, estão orgulhosos de mim. E alguns não entenderam que eu vou ser brasileiro e americano hahaha.

Você chegou a ver a lista completa?

Sim, eu vi todos jogadores que estão na lista. Eu tenho muito respeito com todos eles. É uma grande honra para mim estar junto com eles, na mesma quadra.


Muitos brasileiros não gostam da idéia de estrangeiros na seleção. Primeiro Magnano teve que lidar com isso. Agora vai ser sua vez. Está preparado para isso?

Eu sei que muitas pessoas não vão gostar disso, mas para mim é uma ótima oportunidade. Eu não posso deixar todo mundo feliz. No entanto, vou fazer meu máximo para tentar representar o país Brasil da melhor forma possível. Eu gosto das pessoas do Brasil, elas sempre me trataram super bem. Eu estou muito feliz no Brasil e tenho vontade de jogar pela seleção. Sempre foi um sonho meu jogar uma Olimpíada e agora tenho a oportunidade.

E as coisas brasileiras, música, cultura em geral, o que você gosta?

Olha, gosto muito de churrasco daí. Amo picanha! Meu time de futebol é o Corinthians, e música, eu gosto de funk e pagode.

Só falta casar com uma brasileira então!

hahahahaa, melhor deixar quieto esse assunto...

Você está em Chicago? Quando volta?

Estou sim, volto no dia 30 mais ou menos. Ainda não comprei passagem.

Por fim, gostaria que mandasse uma mensagem para todos os torcedores da seleção brasileira, que torcerão muito no Pré-Olímpico.

Primeiro queria agradecer todo Brasil. Eu tô junto com vocês e quero ajudar o time da seleção voltar para as Olimpíadas. É uma honra para mim ser convidado. Eu vou fazer o máximo e representar o Brasil muito bem. Tamo junto!



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Raulzinho, o caçula, fala com o Giro direto da Lituânia

Mais uma vez, Raulzinho será o caçula da seleção. Direto da Lituânia, onde se prepara para um amistoso preparatório que visa o Mundial do sub19, Raul encontrou tempo para falar rapidamente com o Giro no Aro sobre mais uma convocação.

Raul, mais uma vez, você é o mais novo do grupo. Mas agora, pela segunda vez, você treinará com a seleção principal para um grande evento. Já estava esperando? Como recebeu a convocação?

Eu acreditava que poderia estar nessa convocação, mas sempre fico com um pouco de ansiedade ate ser confirmado. Eu vi a convocação quando cheguei no hotel aqui na Lituânia e fiquei muito feliz.

Já sabe como será para se adequar ao calendário da sub19? Ruben e Neto planejaram algo nesse sentido?

Estou bem focado para o mundial sub19 e não estou querendo pensar muito em como vai ser depois daqui. A única coisa que sei é que vou ficar com a seleção sub19 até o final, depois disso vou ver como vai ser meu calendário.

Para a sua posição, você já deixou para trás o outro brasileiro bastante comentado, Rafael Luz. Acha que jogar no Brasil ajudou nesse sentido?

Não acho que passei para trás o Rafael Luz, ele é um grande jogador, tem seus valores assim como eu tenho os meus. Acho que eu aproveitei as oportunidades que apareceram para mim e por isso estou na seleção novamente. Jogar no Brasil acho que não é o diferencial.

Sua disputa será, provavelmente, direto contra Vitor Benite. Está preparado para o desafio?

Estou preparado para dar o meu melhor, e tentar evoluir o máximo durante os treinamentos, se o Ruben achar que eu posso fazer parte dos 12 que vão para o pré-olímpico vou ficar feliz, se isso não acontecer vou ter feito meu máximo.

Nos conte um pouco como foi em Treviso. Lá, você, Bebê e outro convocado, Augusto Lima, fizeram treinamentos. Chegou a encontrar Augusto por lá? Contam que ele foi muito bem.

Foi muito bom para mim, tive a experiência de jogar contra muitos jogadores que podem estar em grandes equipes da Europa ou até mesmo na NBA daqui alguns anos. Fiquei no mesmo quarto que os dois brasileiros, e isso para mim foi muito bom também. O Augusto foi muito bem nos jogos e nos treinos, ele ganhou o MVP do camp. Foi muito legal.

Eu, particularmente, achei que você fez uma excelente partida no Nike Hoops Summit, e realmente te vejo entre os melhores armadores do planeta nascidos depois de 92. Qual a sua responsabilidade no Mundial de logo mais? Está preparado para ser o líder em quadra?

Me considero na responsabilidade de dar o exemplo para os outros jogadores da seleção, ser um lider positivo dentro de quadra e fora dela. Ajudar o Brasil a conseguir o melhor lugar possível nesse mundial. Estamos treinando duro e estou muito preparado para isso.


domingo, 12 de junho de 2011

Giro no Aro entrevista o técnico da seleção brasileira, Rubén Magnano

Na última sexta-feira, o Giro no Aro teve o prazer de entrevistar, ou melhor, de bater um longo papo com o Rubén Magnano. Este é um importante período de transição para o técnico da seleção brasileira. Afinal, a partir de agora, o foco principal de Magnano muda de São Sebastião do Paraíso, onde supervisionou voluntariamente a seleção de desenvolvimento, para Mar del Plata, onde a seleção brasileira brigará por uma vaga nas Olimpíadas de Londres.

Foram quase 30 minutos de conversa com o campeão olímpico que, além da entrevista, demonstrou estar preocupado com os transtornos causados pelo vulcão chileno na Argentina, inclusive na sua cidade natal, Córdoba, e afirmou ter sido surpreendido pelo forte frio em São Sebastião do Paraíso. No quesito basquete, abordamos com Magnano temas como seleção de desenvolvimento, o estágio atual da modalidade no Brasil e o Pré-Olímpico que se aproxima.

O vitorioso técnico fez questão de ressaltar que, apesar da evolução nos últimos anos, ainda falta mais competições no país e que as instituições do basquete precisam voltar a ser prestigiadas para que o esporte seja massificado em todas as regiões. Magnano afirmou que anunciará a convocação da seleção brasileira na próxima sexta-feira (a apresentação ocorrerá no dia 4 de julho), e que a experiência será um fator fundamental no torneio de Mar del Plata. O técnico afirmou, ainda, que estará no comando da seleção brasileira que disputará os Jogos Pan-Americanos em outubro e que, para esta ocasião, será montado um elenco misto, com muitos jovens.

A entrevista foi transcrita logo abaixo, mas também é disponibilizada para os nossos leitores, na íntegra, em áudio. 



A classificação da seleção brasileira para o Mundial Sub19 e o projeto para as Olimpíadas 2016 praticamente fizeram nascer o projeto permanente em São Sebastião do Paraíso. Depois de meses de trabalho com essa geração, o que podemos esperar dos garotos na Letônia?

Bem, para falar a verdade, nós vamos descobrir como está o nosso nível de jogo agora, quando começarmos a disputar jogos internacionais, tanto os amistosos de agora, quanto os jogos oficiais do Mundial. Nós temos uma carência de competições e só quando vamos a uma competição como Mundial sabemos em que nível estamos. Estes garotos foram vice-campeões da Copa América, perdendo para os EUA por um pouquinho, certo? Mas devemos entender que a competição americana não está no mesmo nível da competição européia. Lá se tem um jogo muito mais físico, muito mais forte e creio que será um exame muito importante para o nosso basquete. Para falar a verdade, quando a competição estiver acontecendo é que saberemos realmente qual é o nosso nível. Eu acredito que a equipe se preparou para competir bem e dar o máximo em cada um dos jogos e com o maior dos otimismos vamos à Letônia. Ainda vamos saber o que nós encontraremos lá. Nós vimos vídeos, jogos dos adversários, mas precisamos da competição para saber em que nível estamos.


Você se mudou para São Sebastião do Paraíso para acompanhar de perto a seleção de desenvolvimento. Qual foi o seu papel no processo? Quais foram as suas maiores preocupações? Passar orientações técnicas ou táticas para a garotada?

Eu tomei a decisão de morar aqui por uma decisão pessoal. A CBB não falou nada comigo sobre o assunto. Mas eu acho que é muito importante ficar por perto, próximo aos treinadores e sobretudo dos meninos, para aconselhar alguma coisa, falar de outra coisa, olhar os futuros jogadores. Acredito que foi muito conveniente, até para conversar com os treinadores que vieram a São Sebastião do Paraíso visitar-nos. Inclusive, tivemos treinadores de outros países que nos visitaram, interessados em conhecer o projeto, uma coisa muito linda. Mas não é que eu tenha vindo a São Sebastião do Paraíso para falar de assuntos técnicos ou táticos somente. Estamos falando de tudo sobre basquete, todo dia vendo, falando e ouvindo sobre basquete. O nosso foco diário praticamente total é o basquete. E isso certamente será uma coisa boa para o futuro.

Nesse papel de observador, qual é o estilo de jogo que podemos esperar dessas seleções mais jovens que estão sendo formadas em São Sebastião do Paraíso? 

Bem, a minha ideia de jogo é, respeitando a idade desses garotos, transmitir o conhecimento de jogo, tomando um pouco como espelho a seleção adulta. Tratar de ter uma identidade defensiva bastante agressiva e dura, como se joga internacionalmente. E, depois, trabalhar muito as questões de técnica individual e de táticas, coletivas e individuais, para melhorar nossa utilização dos espaços e o tempo de execução. Sobre isso falamos praticamente o dia inteiro.


É lógico que esse é apenas um início de processo, mas quando os garotos começaram a chegar, qual foi a sua primeira reação? “Meu Deus, teremos muito trabalho pela frente”? Ou você teve uma boa primeira impressão?

Eu acredito que temos um trabalho por fazer muito importante. Nós precisamos...bem, há algum tempo atrás, quando eu tive a oportunidade de viajar pelo Brasil e acompanhar as competições...há uma coisa que eu vou dizer, que acredito ser muito mais importante do que esse projeto: tratar de recuperar as instituições que jogam basquete. Fazer um trabalho para que essas instituições recebam novamente as crianças, os garotos, para praticar basquete. Isso nos possibilitará ter uma base muito ampla de garotos que jogam basquete e sem dúvidas fazer seleções de muito mais qualidade. Afinal, é uma questão, como costumo dizer, matemática: um maior número de atletas é uma maior possibilidade de haver talento dentro deste grupo. Na seleção de desenvolvimento que temos aqui, você sabe que há uma mistura de idades, e desse grupo, acredito, ficaram cinco meninos dentro da seleção Sub19 que foi ao Mundial. Para a seleção Sub17, acredito que vários meninos pertencentes ao projeto serão convocados, e acredito que ocorrerá o mesmo na seleção Sub16. Ou seja, é um passo muito importante o que estamos dando, mas sem dúvidas temos muito no que trabalhar ainda. Eu acredito que o Ministério dos Esportes, e as pessoas do meio esportivo do Brasil entendem que esse tipo de projeto de desenvolvimento em diferentes idades é muito importante. E se conseguíssemos incluir diferentes regiões do país seria um passo muito importante para o basquete, ou melhor, não apenas para o basquete, mas para todo o esporte do Brasil.

Durante a temporada, o pessoal da mídia especializada costumava brincar, dizendo que você era onipresente, estava em todos os cantos onde houvesse uma bola laranja quicando. Qual foi o seu método para observar os jogadores?

Agora, felizmente, temos toda a informática, que permite ter praticamente toda informação a qualquer distância, em qualquer lugar do mundo. Ou seja, um material que eu solicite de um jogo Sub16 ou um jogo da NBB, ou um jogo da Espanha, ou um jogo da NBA, eu consigo automaticamente. Ou seja, não é um problema de olhar os jogadores. O que eu queria, quando estive presente, como você diz, onde havia uma bola laranja, era poder falar e também ter a oportunidade de ver algo do Brasil, que é MUITO grande, para ter uma ideia das coisas que estão acontecendo. Bem, e se é certo que eu não percorri todo o Brasil, posso dizer que percorri bastante, vendo diversas competições. E, agora, tenho mais ou menos um panorama, e digo mais ou menos porque tudo é impossível, do que possa estar acontecendo aqui.


Ao mesmo tempo que tem sido formadas novas gerações nestes projetos, uma coisa preocupa: a falta de jovens nos times profissionais brasileiros. Apenas Benite e Douglas Nunes aparecem como grandes novidades nesta última da temporada do NBB. Isso te preocupa?

Olha, temos diversos jogadores da seleção Sub19 que disputaram a última edição da liga. Temos o Arthur e o Erik, que jogaram muito tempo pelo Paulistano. Temos, por exemplo, o Raulzinho...bem, você conhece, que jogou tanto tempo no Minas, mas acredito que a liga ainda está muito preocupada com isto e vai fazer, pelo que Kouros conversou comigo, o torneio Sub20 para dar competição aos garotos dessa idade. Quando eu te falo que precisamos de instituições em que se pratique basquete é justamente por isso. Para criar um número maior de jogos, para que os garotos joguem mais vezes por ano. Mas, para isso, precisamos dessas instituições, para incrementar o número de competições. Não há como falar que este atual é o número exato de jogos que precisamos, mas devemos dizer que é preciso que esses garotos joguem 40, 45, 50 jogos por ano. Só assim vamos ver uma maior quantidade de talentos aparecendo. É certo o que você fala, eu fico um pouco preocupado, mas devemos trabalhar para isso, devemos trabalhar quais seriam as soluções para o problema e...temos que continuar trabalhando, não há outro jeito.

Bem, continuando no tema NBB, ao contrário do ano anterior, em que o senhor até comentou como foi muito diferente ver dois times jogando uma final de campeonato usando a defesa zona por tanto tempo, tivemos uma final de campeonato NBB esse ano com mais opções táticas, times mais coletivos e menos limitados ofensivamente. O senhor gostou mais das equipes este ano?

Sem dúvidas, a liga crescerá ano a ano. Essa palavra competição, que eu tanto falo, não deve ser limitada apenas aos garotos, mas deve incluir também os adultos profissionais. Com mais competição, iremos assistir a uma qualidade de jogo melhor. Quando se cria um clima de competição, todos tendem a melhorar. Os dirigentes melhoram, os treinadores melhoram, os jogadores melhoram, os árbitros são obrigados a melhorar...a competição nos obriga a melhorar. E isso nós veremos no ano que vem, a liga melhorará e assim sucessivamente. É como uma criança que cresce a cada ano. Então, nós vamos assistir a jogos cada vez melhores.

Por falar nos adultos, aproxima-se a data da convocação para o Torneio Pré-Olímpico. Julio Lamas já declarou que a seleção argentina para Mar Del Plata já está praticamente definida. Você já tem a seleção na cabeça? Caso positivo, qual perfil podemos esperar dela? Jogadores mais experientes? Jogadores mais jovens?

Primeiramente, eu sinceramente não sei como se pode falar em seleção definida, quando se falta solucionar o tema da greve da NBA. Não sabemos o que vai acontecer com os jogadores em relação a isso. A partir daí, seguramente o panorama será muito mais claro. Minha ideia é fazer a convocação e, a partir daí, ficar com os 12 jogadores mais produtivos e mais eficazes desta convocação.


Além do aspecto da greve, há indefinições na seleção brasileira por outros motivos. Já há ausências confirmadas na seleção? De quem?

Não, não. Veja, eu tenho o costume de fazer uma convocação na data marcada para tal, para todo o mundo, sem falar de nomes antes. Seguramente, você já tem na sua cabeça nomes que julga certos, que é capaz que sejam, ou não. Mas, inclusive por uma questão de respeito a toda a mídia brasileira, a convocação será feita no próximo dia 17, se nada de errado ocorrer. A CBB fará um comunicado com todos os nomes da convocação neste dia.

É lógico! Mas a minha questão é, sem precisar citar nomes, já houve quem ligasse para o senhor e falasse “olha, infelizmente, neste ano não vai dar?”

Felizmente, hoje, não devo falar isso. Felizmente. Agora, só saberemos isso ao certo, não apenas no dia da convocação, mas sim no dia 4 de julho, quando ocorrerá a apresentação da seleção. Aí realmente saberemos os jogadores que falarão sim e os jogadores que falarão não.

Espera-se um cenário completamente hostil para a seleção brasileira em Mar del Plata, principalmente num eventual confronto decisivo contra a Argentina. A idade pode ser um fator decisivo nesse torneio?

Sem dúvida. A experiência tem um peso muito importante. A experiência não é algo que se ganha de um dia para o outro. São anos de jogos, anos de batalhas e horas de treinamentos. A experiência tem um valor que pesa. Mas nós temos um pessoal jovem que já tem anos de basquete. Acontece muito de olharmos um jovem jogar e pensarmos tratar-se de um veterano, quando não é. Ou jogadores que fisicamente, dependendo de como foi a sua carreira no basquete, de como se cuidou, poder ficar jogando por uma grande quantidade de anos. De fato a experiência é um fator muito importante, mais até do que a idade.


O posto de capitão da seleção brasileira costumava pertencer aos jogadores mais velhos, como Marcelinho Machado, Guilherme Giovannoni e Alex Garcia. Você surpreendeu ao escolher Marcelo Huertas como seu capitão e ele acabou fazendo um Mundial espetacular, coincidência ou não. O que motivou essa sua decisão?

Pessoalmente, eu aprendi a conheci esse grupo logo antes ao Mundial da Turquia, que foi a primeira competição que eu tive. Eu sabia de algumas pessoas que haviam sido capitães da equipe mas achei conveniente a partir do que vi nele. Também te ajuda muito, pra ser capitão,a posição que você joga. A posição em que ele joga também foi um fator muito determinante, pois geralmente o treinador costuma ter muita comunicação com o condutor de sua equipe. Mas aliado a isso, tem a forma dele comunicar-se, o que também influiu na escolha para ser o capitão da equipe.

Ainda neste ano, teremos os Jogos Pan-Americanos. Já está definido o perfil da seleção que defenderá o Brasil no México? Você estará no comando desta seleção?

Sim, estarei no comando da seleção. Já o próprio regulamento impõe a obrigação de levarmos gente nova. E eu gosto dessa ideia. São 3 jogadores Sub19 que necessariamente devem estar dentro do grupo dos 12 atletas. Assim, minha ideia basicamente é fazer uma mistura com os jogadores jovens com outros com um pouco mais de experiência para poder jogar o Pan-Americano.


Fotos: CBB.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Falamos com Dimitri Souza, o caçula da Sub19

O anúncio da convocação do ala Dimitri Chatzicharalambous Sousa, do Teramo/ITA, causou surpresa. Não pela sua presença na seleção brasileira, que já era dada como certa nesta temporada, mas pelo fato de o ala de 17 anos ter entrado na categoria Sub19, com garotos até 2 anos mais velhos. Dimitri é irmão do jogador Adonis Sousa e filho do ex-atleta Marcelo Pará.

Dimitri é um menino que já acompanhamos há bastante tempo. E, que pode atuar na posição dois e três. Além de excelentes fundamentos e boa postura na marcação. O fato de atuar bem na Itália mesmo na sub19, já o credencia para nosso grupo” disse José Neto, técnico da Seleção Sub19.

Confira abaixo a entrevista com Dimitri Sousa:

Conte-nos como foi a sua temporada na Itália.
 
Foi ótima. Joguei pela equipe Sub17, Sub19 e Adulto, numa divisão mais baixa, que tem vários jogadores experientes. Fui protagonista nas 3 e, então, deu para pegar um ótimo ritmo de jogo, embora, por causa de todos os jogos, tive pouco tempo para treinar fundamentos.



E como foi essa experiência de atuar entre os mais velhos?

Foi uma oportunidade muito boa, pois joguei contra pessoas mais fortes e que jogam há mais tempo. Assim, tive que me esforçar ao máximo para jogar bem.

Mundando o foco para a seleção brasileira, como foi receber a notícia da convocação para a sub19? Você já havia sido selecionado para o sul-americano sub17...
 
Fantástico, cara! Poder treinar com a sub19 é uma honra, e ter sido lembrado pelos técnicos mesmo sendo dois anos mais novo é uma grande satisfação.

Mas a ideia é mesmo você treinar com as duas seleções nessa pré-temporada?

Sim! 
 
E quais foram suas primeiras impressões sobre a estrutura de São Sebastião do Paraíso? Como foi a sua chegada?

Fui acompanhado por um técnico, e ele me mostrou o ginásio, que é otimo. Os alojamentos, refeitório, academia...tudo de primeira linha. E nós da seleção sub19 estamos no hotel que está do lado do ginásio?

Mas você ficou surpreso com a estrutura, mesmo quando comparado com o que vê na Europa?

 Sim, pois eu não esperava uma estrutra tão boa como essa. Olha, é tão boa ou talvez até melhor que algumas na Europa.

Seu irmão Adonis, apesar de ser de uma categoria acima, já jogou com alguns desses jogadores da Sub19. E você? Já conhecia alguém dessa turma?

Do sub 19 só uns 2 meninos. Da sub16 e da seleção de desenvolvimento ja conhecia alguns outros.

Você é o caçula desta seleção. Não teme brincadeiras, trotes?

Hahahaha. Olha, até agora nao teve nenhum...vamos ver até quando né?

domingo, 17 de abril de 2011

Uma aula de Grant Hill

Um dos jogadores mais experientes da NBA, Grant Hill é sem sombra de dúvidas um craque. O ala deu uma ótima entrevista para a Digg Nation falando das diferenças da liga de quando ele entrou pra hoje, de Steve Nash, de sua carreira e de outros tantos assuntos.

São pouco mais de 20 minutos de ótima entrevista que, infelizmente, não tem legendas. Se alguém tiver tempo poderia fazê-las. Fica a dica, um ótimo material para entender melhor a NBA.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Entrevista de Rubén Magnano a canal argentino

O programa cordobês, Live Basketball TV, fez uma longa e como sempre imperdível entrevista com o técnico da seleção brasileira de basquete, Rubén Magnano.

Veja abaixo, em cinco partes: