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domingo, 26 de junho de 2011

Entrevista com presidente do Franca, Luis Carlos Teixeira

Pouca gente do basquete brasileiro tem tanta responsabilidade como Carlos Teixeira. Responsável pelos rumos do time mais tradicional da modalidade no país, Teixeira tem de lidar diariamente com a pressão de uma torcida fanática e sedenta por títulos. E o fim da temporada que celebrou o vice-campeonato não poderia ser mais polêmico: o time perdeu dois atletas da rotação principal para times de menor estrutura e tradição e contratou um dos mais polêmicos atletas do país, Baby. O Giro procurou Teixeira e conversou sobre isso e muito mais.

Quem acompanha o Giro sabe que não concordamos com algumas posições de dirigentes brasileiros e muitas vezes criticamos abertamente, sem nos preocuparmos muito com a reação que isso pode acarretar. Esse bate-papo com Teixeira foi guiado pela noção crítica que temos de alguns posicionamento de Franca. No entanto, não tentamos argumentar em réplicas, mas apenas deixar o espaço aberto para os argumentos do diretor. A análise e o debate poderá vir na caixinha de comentários, se os torcedores francanos e os basqueteiros em geral se interessarem. Estamos aqui pra isso.

Sem mais, vamos à entrevista.

Pessoal tem batido pesado em você aí em Franca, né? Mas as contratações já acabaram?

Os torcedores não conhecem o lado administrativo do clube. Pensam apenas com paião. Cito o exemplo que neste primeiro ano de gestão zeramos o déficit do FBC, mudamos a sede, fizemos a sala de troféus, compramos o "basquetemóvel" e conseguimos ser vice-campeões do NBB. Avalio como um trabalho vitorioso. Temos um orçamento a ser cumprido e temos que trabalhar com aquilo que reputamos o melhor para o FBC. Acredito que temos um plantel muito equilibrado com jogadores no auge de sua condição e que vão mesclar com a juventude dos três garotos que estão na seleção.

Mas então podemos dizer que as contratações acabaram?

Ainda estamos em processo de avaliação, porque neste momento temos disponível mais uma vaga que pode ser utilizada por um estrangeiro. Assim, iniciando os preparativos veremos se nossa necessidade está na posição 1, 2 ou 3, etc. Não vou deixar a paixão suplantar a razão. Vamos avaliar os atletas que temos e ver se realmente temos esta necessidade. A partir daí, se for necessário, contrato. Se não, podemos abrir espaço para mais um juvenil - falam tanto que não damos espaço aos valores locais e quando fazemos, nos criticam.

Muito se tem criticado Hélio Rubens e sua maneira de conduzir o time, que não dá espaço para jovens e que isso teria motivado as saídas de Dedé e Benite. Qual sua opinião sobre essas críticas?

Bem, numa cidade como Franca, existem 350 mil técnicos de basquete que opinam, concordam, discordam, mas todos têm um jeito carinhoso, especial com nossa equipe. O importante é que continuamos a formar atletas e técnicos de basquete. Alguns iniciam, rodam e voltam à casa. Outros encontram outros caminhos, mas temos confiança que o trabalho é feito com muito carinho, dedicação e desprendimento.

E a saída de Benite e Dedé?

Quando ao Benite, a saída dele foi surpreendente para todos porque aqui ele foi um atleta que teve um excelente tempo efetivo de quadra (o terceiro com mais tempo). Foi laureado e encontrou seu espaço. A verdade é que a saída foi por motivo de foro íntimo já que ele não tinha qualquer problema com o técnico, com os demais jogadores e já era um ídolo na cidade. Em termos financeiros também não foi já que ele mesmo declarou que ia pra Limeira pela metade. Assim, o que aconteceu é questão pessoal. Quando ao Dedé, a sua saída foi motivada pela proximidade com a família e a outros jogadores que são seus amigos particulares e jogam lá. No aspecto financeiro, foi proposto até que cobríssemos a oferta, mas quando ele chegou pra conversar, já tinha a convicção que ele já assinara com a outra equipe .

Agora, Teixeira, eu confesso ter ficado totalmente confuso em relação ao Baby. Aquela declaração sua foi uma estratégia? Não achou um pouco grosseira?

Não, porque algumas negociações que começamos foram atrapalhadas exatamente por terem sido tornadas públicas e assim foi uma forma que encontrei de criar um pano e não prejudicar o nosso objetivo. Creio que se não tivessem levantado a questão, sequer teria sido objeto de reportagem. Mas o importante é que conseguimos o cincão que o torcedor francano vem pedindo já há algumas temporadas.

Mas havia opções mais interessantes no mercado, não? Ouvi dizer que Jeff Agba, por exemplo, vinha pedindo até menos do que Baby...


Assim que terminou a temporada, nos reunimos, eu e Hélio Rubens, e recebi uma relação dos atletas que ele pretendia. Assim, dei preferência às renovações dos atletas que pretendíamos e na sequência, os reforços. Obviamente temos diversas opções, mas também temos limitações financeiras, ou seja, temos que ajustar tudo isso. O importante é que, na nossa avaliação, ficamos com uma equipe altamente competitiva, pessoas muito motivadas e que, com certeza, traremos muitas alegrias aos torcedores do Vivo Franca Basquete.

Uma questão ficou no ar, pelo menos pra mim. Quando você disse que viria um jogador de NBA, estava falando do Baby mesmo?

Sim, foi a pista que acabei deixando escapar.


Acho muito bacana a participação dos torcedores nos destinos do clube e levamos em consideração sempre, porque aqui temos a torcida que mais entende de basquete. Apenas fico chateado com algumas pessoas que confudem a liberdade de expressão com ofensas pessoais.

Voltando ao assunto do elenco para a próxima temporada, o time perdeu os dois estadunidenses, Benite e Dedé e Trouxe Wanderson, Woodward e Baby. Que avaliação você faz? O time evoluiu ou piorou?

Acredito que temos uma equipe mais consistente. A evolução somente poderá ser medida após termos os resultados. Obviamente projetamos uma evolução.

E o orçamento? Todos patrocinadores continuam? Algum pode chegar?

Sim, felizmente todos confirmaram. Estamos trabalhando para captar mais parceiros e devemos ter respostas positivas em breve e assim dar respaldo para um possível reforço.

Acho que é isso né Teixeira? Será que faltou algo?

Não sei, vamos saber depois... Mas espero esclarecer um pouco a inquietude do pessoal.