quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que muda (dentro de quadra) com Leandrinho no Flamengo?

Parece que, enfim, é quente. O boato que desde o locaute da NBA surgiu forte nos bastidores está perto de concretizar e já sapecou, pelos quatro cantos da web, a notícia dando como confirmada a volta de Leandrinho ao basquete brasileiro para jogar no Flamengo, atual semifinalista nacional.

Tirando os detalhes da negociação que não tivemos tempo de apurar, vou me concentrar na parte que mais me agrada: a do jogo dentro das quatro linhas (embora reconheça que um caso como esse extrapole a quadra de jogo). Temas como o que isso muda no mercado, ou no impacto para a própria torcida, mídia, etc, serão plenamente ignorados nas palavras abaixo. Também não abordarei quais as possibilidades de Leandrinho ficar até o final da temporada - imagino que, concretizada a negociação, o brasileiro fica até o fim do locaute e volta à NBA para cumprir seu contrato. Também não abordarei o aspecto psicológico de Leandrinho, que não tenho dúvida, foi fundamental para que algo assim pudesse minimamente ser pensado.

Pensemos, pois, no jogo em si. Não há nenhuma dúvida de que o Flamengo que já tinha um dos mais poderosos elencos do país se torna o principal candidato ao título. O elenco contará com os dois jogadores que mais facilidade tem em pontuar jogando no mesmo lado. E a melhor parte disso é que Leandrinho e Marcelinho não são jogadores redundantes, mas complementares. As principais características de um faltam ao outro e vice-versa, ao menos pensando na quadra ofensiva, sendo uma exceção, talvez, o chute de três pontos. Enquanto Leandrinho é um exímio penetrador, Marcelinho prefere jogadas de média e longa distância. Enquanto Marcelinho abusa da qualidade de leitura de jogo, Leandrinho consegue a maioria dos seus pontos com a quadra aberta, jogando em transição. O excepcional estadunidense, David Jackson, faria a função que hoje tem sobrado a Duda: vir do banco para manter o mesmo nível. Um acréscimo imensurável.

Há ainda um outro fator que deve ser abordado. A contratação de Kammerichs, certamente impactante pelo simples fato de ser o primeiro medalhista olímpico a jogar um NBB, acaba por sair um pouco de foco, o que, se tratando de Flamengo, não deixa de ser uma boa notícia. Explico: quem acompanha o jogador sabe que sua principal qualidade não é ser exuberantemente atlético, ou extremamente plástico. Trata-se, ao contrário, de um jogador com grande técnica defensiva, grande dedicação e coração, e elogiável compreensão tática do jogo. Tenho minhas dúvidas se a torcida do Flamengo, defensora, de Duda por exemplo, não cobraria demais de um jogador que chega como a estrela do elenco mas dotado dessas características citadas. A chegada de Leandrinho coloca Kammerichs onde ele sempre esteve em sua carreira: como um impressionante jogador coadjuvante de um time que conta com outros definidores. Por isso, até no pacote de contratações já apresentados, a chegada de Leandrinho colocaria um novo peso técnico-tático.

Não nos enganemos pela dificuldade que Leandrinho tem enfrentado em partidas internacionais pela seleção brasileira ou, para irmos um pouco mais longe, com o ano esquisito do escolta em Toronto. Ainda que o NBB tenha evoluído, é inegável que tanto as principais seleções do mundo quanto os times da NBA estão muito a frente do nível que se joga por aqui (ainda que Brasília, Pinheiros, Franca e São José possam mesmo colocar dificuldades ao atleta). A contratação de Leandrinho colocaria qualquer time como favorito, tamanha a capacidade de pontuar que tem o jogador paulista. Sendo já um dos favoritos, dono da maior torcida e do melhor elenco do país, a balança pesa abissalmente para os rubro-negros.

Não creio, no entanto, que será apenas o Flamengo que sairá ganhando nesse processo. Acredito sim que o próprio jogador terá uma experiência que lhe falta na carreira. Leandrinho foi campeão brasileiro por Bauru e depois liderou uma equipe jovem lá em uma temporada média - se destacando e por isso chamando atenção de muitos olheiros. Desde então, nunca foi protagonista de nada. No Phoenix Suns era, provavelmente, a quarta ou quinta opção de ataque (ou, no máximo, terceira, nos seus melhores momentos). No Toronto, sua situação foi confusa demais e não é nem possível precisar seu papel no grupo. Esse excesso de coadjuvantismo foi sentido, inúmeras vezes, em suas passagens pela seleção. Ainda que seja injusto dizer que o escolta não assume a responsabilidade nos momentos decisivos, é sim prudente afirmar que ele tem imensa dificuldade quando resolve decidir. Algumas representativas derrotas brasileiras nos últimos tempos resultaram disso. Por isso acredito que jogar com espaço e responsabilidade de ser o condutor do principal favorito ao título nacional, ainda que em uma liga de menor peso como a nossa, fará muito bem à própria carreira internacional do atleta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Big Deng

O Eurobasket vai ser mesmo recheado de estrelas internacionais. Depois de um Mundial da Turquia bastante desfalcado, não haveria melhor notícia para o basquete de seleções.

Ao que parece, os times seguiram basicamente o mesmo plano da Argentina, que faz o mesmo aqui na América do Sul. Os seus principais atletas, ou para se poupar, ou para escapar de problemas com os dirigentes da NBA, abriram mão de disputar a segunda maior competição do esporte para se guardar para a principal. A Olimpíada de Londres.

No entanto, para chegar as Olimpíadas, é necessário, antes, passar pelas pesadas eliminatórias. Se aqui, a Argentina contará com a força máxima e é favoritíssima à vaga, na Europa, inúmeras seleções disputarão as possibilidades do continente.

A Grã-Bretanha, que não é sequer uma força, não tem exatamente esse problema. Por ser sede, já tem vaga garantida. Mas ainda assim, tem se preparado para não fazer feio quando defender o mando de quadra nos Jogos Olímpicos. E para isso, deposita suas fichas em Luol Deng (nascido no Sudão, naturalizado), mais famoso jogador do seu elenco, que ainda conta com a sólida dupla de garrafão de Robert Archibald e Joel Freeland e o jovem promissor Ryan Richards.

O jogador confirmou participação na semana que se passou, uma vez resolvida a pendência que havia em relação ao seguro. Ben Gordon, do Detroit Pistons, é outra arma que a Grã-Bretanha tem tentado contar, mas ainda sem sucesso. Seria mais uma importante estrela para o Europeu de seleções que acontece em setembro, na Lituânia.

domingo, 7 de agosto de 2011

Primeiro tempo emperrado, segundo tranquilo

Uma seleção do NBB com a presença de Rafael Hettsheimeir foi o suficiente para conquistar o Super 4 na Venezuela contra as frágeis seleções da Venezuela, Panamá e Cuba. Com Nezinho, Raulzinho, Benite, Marcelinho, Alex, Marquinhos, Guilherme e Caio Torres como jogadores da rotação, apenas o ex-pivô do Coc não jogará nosso campeonato nacional o ano que vem.

O único jogo que vi foi o de hoje e o começo não pareceu animador. Alex teve muitas dificuldades em parar Greivis Vázquez, ótimo armador ex-Maryland, atualmente no Memphis Grizzlies e logo foi para o banco com faltas. O time demorou a entrar no jogo, exagerando um pouco nas bolas de fora e se garantiu no placar pela boa defesa.

No segundo tempo, mais equilibrado no ataque e com a defesa bem colocada, não deu nem graça. Em poucos momentos o Brasil abriu larga vantagem que chegou a ser de 20 pontos. Ainda sem os seus principais nomes, Marcelinho Huertas e Tiago Splitter, é difícil fazer análises do que esperar do time em quadra. Mas o que era de se esperar é que se vencesse bem os adversários desses amistosos, e assim o fez.

Abaixo, mais um vídeo da youtuboteca de Ganso.


Enragés

Se ontem falamos dos italianos, que aspiram a volta ao topo com a chegada de sua geração de jovens que estão na NBA, a França é outra clássica força européia que aspira jogar em alto nível.

Mas ao contrário dos italianos, os franceses costumam contar com seus principais jogadores da liga estadunidense. Várias vezes Tony Parker disputou as principais competições pelo país, e além dele, nomes como Boris Diaw, Johan Petro, Nicolas Batum e Mickael Pietrus costumam atender as convocações.

O senão costuma ficar para Joakim Noah, nascido em NY, mas filho do histórico tenista Yannick Noah. O jogador do Chicago Bulls, bicampeão universitário por Flórida, sempre encontra problemas para se apresentar à seleção. Mas dessa vez, o raçudo e raivoso jogador pode reforçar o time para a disputa da Eurobasket. A sua lesão no tornozelo está praticamente curada e os franceses já falam de contar com o atleta entre os doze.

Boa notícia, tanto para a seleção quanto para o próprio europeu em si, que parece que terá menos desfalques do que o Mundial da Turquia.

sábado, 6 de agosto de 2011

Il Risorgimento

O basquete italiano ameaça voltar aos seus melhores momentos. O país que já teve os dominantes Cantú, Verése e Milan e, mais recentemente, o Bologna e Treviso, foi jogado ao segundo nível das ligas européias à medida que a liga ACB se tornou forte e a Euroliga a maior do continente.

A queda se refletiu na seleção nacional que desde o heróico vice-campeonato olímpico de 2004 não se destaca nas principais competições da bola laranja.

Com presença confirmada na Euro 2011, a melhor notícia é que pela primeira vez os três mais famosos jogadores nascidos no país jogarão juntos pelo time nacional. Bargnani, Gallinari e Bellineli se apresentaram e treinam com a equipe (embora não tenham ainda dividido a quadra em nenhum dos amistosos por problemas de lesão).

A liga nacional, ou pelo menos seus dois mais fortes times, aproveita o bom momento e volta a contratar os principais atletas do continente (o que não fazia desde a época em que Ginóbili liderava o Bologna no título da Euroliga). O Siena foi bem e contratou o ótimo Bo Mcalebb, que foi seleção do campeonato há dois anos no Partizan Belgrado, o pivô australiano ex-NBA David Andersen e o ala do Detroit Pistons, Dajuan Summers. Mas quem realmente mostrou que quer devolver o protagonismo aos italianos foi o Milano, que ao renovar o projeto, contratou o técnico Sergio Scariolo e com ele o brilhante Omar Cook do Valência, Drew Nicholas, do Panathinaikos, além da excepcional dupla de garrafão da seleção grega, Bourousis e Fotsis, fato que já o coloca como um dos melhores elencos do Velho Continente.

É claro que a liga ACB ainda é o principal e mais competitivo campeonato nacional europeu. E que a Euroliga é a maior atração para os clubes e mídia especializada. Mas aos poucos a Itália começa a reconstruir o seu lugar e pode, já no Euro, voltar a mostrar força também entre as seleções.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Primeiro amistoso, primeira vitória

Com muita tranquilidade, o Brasil passou por cima do Panamá no primeiro amistoso preparatório para a Copa América. Segundo o site da CBB, Marcelinho foi o cestinha, com 16 pontos. Os narradores venezuelanos do vídeo abaixo dizem que o carioca fez 13 e que Marquinhos, do Pinheiros, é que foi o máximo pontuador.

Com 84-48, a vitória alimenta a esperança de um bom campeonato no mês que vem. As imagens do jogo só podiam vir do nosso velho amigo, Gustavo Ganso, o maior pesquisador e disponibilizador de vídeos do basquete nacional, que sabe-se lá como, trouxe o resumo da TV venezuelana da partida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Raulzinho em San Sebastián?

A notícia é do jornal Notícias de Gipuzkoa, como você pode conferir aqui. Segundo eles, Raulzinho, um dos jovens mais talentosos do basquete brasileiro, negocia com o Lagun Aro GBC, onde dividiria a armação principal com Javi Salgado.

O time joga a liga ACB e há três temporadas se estabilizou como um time de médio porte (sempre na segunda metade da tabela). Sem dúvida, a maior liga nacional européia faria bem à carreira do armador do Minas, com a garantia que seria relacionado e participaria das partidas. Já abordamos inúmeras vezes, por aqui, que ir para a Espanha ainda jovem mais atrapalhou do que ajudou as carreiras de vários jogadores brasileiros sendo Splitter e mais velho, Marcelinho Huertas, as exceções.

Quem acompanhou o Mundial Sub19 pôde ver como Raul era um dos, senão o melhor armador da posição de sua geração e isso não é pouca coisa. Isso se deve, claro, ao talento e dedicação do jovem do Minas, mas também pelo fato de ser ser um dos poucos que joga entre os profissionais já há algum tempo. Com seu pai no comando do Minas Tênis Clube e com a remontagem do elenco se baseando num elenco jovem, Raulzinho poderia também continuar sua evolução com mais protagonismo, mais tempo de quadra e tendo ao seu lado o profissional de basquete que melhor entende suas necessidades (se engana quem pensa que Raul pai pega leve com o garoto).

As negociações ainda estão em andamento. Aguardemos mais notícias.